The Dig (PC)

segunda-feira, 29 de abril de 2013 Postado por Tristan.ccm



Gênero: Adventure / Point-and-Click


Fabricante: LucasArts


Lançamento: 1995


Jogadores: 1 player




A hoje extinta LucasArts brilhou por anos nos PCs com seus jogos de aventura estilo Point-and-Click: Maniac Mansion, Full Throttle e Sam & Max até hoje tem fãs ardorosos (que com certeza estão xingando a Disney até agora por ela ter fechado a LucasArts). A maioria deles ganhou o público graças a um senso de humor bacana e inteligente, afinal quem não se lembra dos famosos duelos de espada movidos a xingamentos de Monkey Island? Ou da hilária morte do hamster de Maniac Mansion? Pois bem, mas nem só de galhofa vivia a LucasArts, ela sabia produzir games sérios. E talvez The Dig tenha sido o mais sério de todos.

O enredo é uma ficção científica da melhor qualidade, coisa digna de um livro de Arthur C. Clarke: cientistas descobrem que um gigantesco asteroide chamado Átila está em rota de colisão com a Terra, e rapidamente traçam um plano para evitar uma catástrofe. Uma equipe de astronautas é enviada no ônibus espacial Atlantis com a missão de implantar explosivos nucleares para desviar o asteroide de sua rota. Os três astronautas escolhidos foram Boston Low (dublado por Robert Patrick, o inesquecível vilão de Exterminador do Futuro 2), comandante da missão, acompanhado pelo geólogo e arqueólogo Dr. Ludgen Brink e por Maggie Robbins, uma repórter especialista em linguística. A missão é um sucesso, os explosivos surtem efeito e a Terra está a salvo.

Aproveitando o fato de ainda terem algumas horas disponíveis após a missão estar cumprida, eles decidem fazer uma sondagem no asteroide para colher dados. Ao investigar um canion, eles encontram uma câmara geometricamente perfeita, aparentemente artificial, e ao investigá-la eles acidentalmente acionam um estranho dispositivo. É nesse momento que o asteroide revela ser, na verdade, uma nave espacial alienígena, que leva os três astronautas a seu planeta de origem. Investigando esse novo mundo, um acidente mata o Dr. Brink, que é revivido por um estranho cristal encontrado pelo comandante Low. E é em torno desses cristais, cujos efeitos demonstram serem nefastos à medida que o jogo se desenrola, que a trama segue, com você comandando Boston Low pelo planeta desconhecido e aparentemente hostil.

A jogabilidade era bem diferente dos point-and-click tradicionais, não há uma lista de verbos: para falar com alguém basta clicar na pessoa (ou usar uma espécie de tablet no inventário, se ela estiver longe), e para usar um objeto basta abrir o inventário e clicar nele, clicando depois no local. O problema é que isso não torna o jogo mais fácil, pelo contrário, os puzzles são bem complicados e alguns não são nada intuitivos (eu levei três dias pra montar aquela bendita tartaruga!). Abrir portas sempre requer um puzzle que envolve figuras geométricas, e ser um professor de matemática não me ajudou em nada neles.

Os NPCs desse jogo, embora raros, são de grande ajuda, desde que seu inglês esteja em dia. E acredite, você vai precisar de muita ajuda, pois é bem fácil se perder nesse planeta. Havia momentos em que eu esquadrinhava cada canto da tela em busca de um ponto clicável, sem saber pra onde ir ou o que fazer, e esse é com certeza um dos pontos fracos do jogo. Em matéria de som eu também acho que o jogo poderia ter sido melhor, pois a trilha sonora é imersiva demais, lembrando mais uma trilha de filme que de jogo. Isso não é ruim, mas as músicas de The Dig dificilmente estarão na playlist do seu MP3. No quesito gráficos, o jogo é bem bonito pra um game de PC de 1995, com uns efeitos 3D interessantes, e esse é um ponto forte do game.

Se tem algo que fez o jogo perder, na minha opinião, alguns pontos preciosos foi o fato de você nunca morrer. Eu sei, não se trata de um Super Metroid ou de um Dead Space, mas a temática de "explore um planeta hostil cheio de cristais from hell" combina com passar um aperto de vez em quando, e games menos sérios da LucasArts tinham Game Over (experimente esquecer de encher a piscina de Maniac Mansion, por exemplo). De que adianta o jogo querer me fazer sentir num planeta estranho onde a raça dominante desapareceu misteriosamente se eu estou mais seguro nele do que na Terra? Até mesmo em momentos do fim do jogo onde Boston poderia ter morrido isso não acontece, ele automaticamente se esconde ou dá um golpe mortal no inimigo. Isso não torna o jogo ruim, mas me fez sentir como se eu estivesse usando algum cheat de invencibilidade, e tirou parte da diversão do jogo.

Porém, mesmo esses defeitos não fazem com que The Dig deixe de ser um grande game. O enredo muito bem estruturado, aliado à acessoria de grandes nomes do cinema (George Lucas e Steven Spielberg, só pra começar) fazem com que esse jogo valha a pena. Se o protagonista do jogo não fosse imortal, e se o final não fosse tão "conto de fadas",  talvez The Dig tivesse se tornado a maior experiência imersiva já vista em um game até então. Mas mesmo assim não deixa de ser um dos maiores games da já saudosa LucasArts.


NOTA FINAL: 8,8
THE DIG, APESAR DOS PESARES, É UM GRANDE JOGO. MESMO QUEM NÃO CURTE SCI-FI VAI ADORAR SE PERDER NUM MUNDO ALIENÍGENA, ENQUANTO TENTA DESCOBRIR COMO VOLTAR PRA CASA.
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